Persoangens e Academia

Postado em Uncategorized com as tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , em fevereiro 23, 2009 por Pivni

Recentemente tenho lido muito sobre Alfred Russel Wallace, Charles Darwin, a “Origem das Espécies” e Biogeografia de Ilhas, e por conseqüência não tem como não ler também algumas coisas sobre Jean-Baptist Lamark, Georges Buffon, Erasmus Darwin, Robert McArtur, Edward O. Wilson, Samuel Stevens, Henry Bates, Moritz Wagner, Ernst Mayr, Joseph Banks, capitão James Cook, sir Charles Lyell, … e muitos outros cujos nomes me fogem à cabeça neste momento, passando por continentes ainda pouco explorados ou conhecidos, arquipélagos e ilhas ao redor de todo o mundo.

Lí histórias e situações que me fazem questionar como as coisas são feitas pela ciência, sobre a ética e a moral dos grandes cientistas … sobre o valor do titulo e da descoberta, sobre a necessidade do homem em ser alguém importante e supostamente influente … até onde vale agir de forma a frear estudos e pesquisas de terceiros em benefício próprio? Atos que observamos ainda nos dias de hoje nas olimpíadas da academia onde ganha quem mais publica, não importa sobre o que ou a qualidade e real aplicabilidade dos resultados para a conservação, o que importa é o número de publicações, o titulo mais alto …

É errado publicar?

Não, eu não acho que seja, mesmo que informações suplementares, porém o valor que se dá ao número e não à qualidade é que está equivocado!

É errado ser um pós-doutor?

Não, claro que não desde que este reconheça humildemente que o titulo não lhe faz mais esperto, inteligente e sábio, diz apenas que este estudou bastante sobre o assunto da sua dissertação, tese ou relatório final e que talvez (dando uma ênfase muito grande ao TALVEZ) ele seja um especialista naquele assunto em específico … mas não, hoje alguns pesquisadores publicam por publicar e estudam para ter titulo, hoje não, sempre foi assim ou a muito tempo a academia é um anfiteatro para disputas ferrenhas do “eu sou o melhor”!

Claro, não vamos ser injustos, existem muitos casos em que querer publicar, ser Doutor ou mais que isso ou mesmo exigir certo reconhecimento é essencial, mas isso deve ser por um meio e não o objetivo ou fim se é que me entendem.

Quantas teses que eu li e que apesar de terem dado um trabalhão, terem respondido diversas perguntas do pesquisador autor, eu não consegui ver em seus resultados uma aplicabilidade prática em trabalhos de conservação? Em melhorias? Em trabalhos futuros de forma mais eficiente do que como mais uma referência seja na introdução, nos métodos ou na discussão de um resultado?

Desculpem-me por este post, mas a insatisfação e a decepção com o modelo acadêmico que é seguido hoje (e sempre) é grande … mas eu não desisto, se estou insatisfeito e decepcionado, posso não vir a achar o melhor modelo, mas continuarei tentando fazer diferente (na medida do possível).

Alguns devem estar se perguntando: Sim, porque citar a “Origem das Espécies”, Biogeografia de Ilhas e diversos nomes e nem se aprofundar no assunto?

Bom, quem sabe este post não é um ponta-pé para que eu tente escrever algo sobre o assunto, as citações foram umpouco mais que meramente ilustrativas e a história em torno dos temas e dos pesonagens citados está recheada de ações e atitudes tão academicistas quanto as dos dias atuais, ou pior. Se serve de alguma coisa, recomendo que leiam sobre o assunto ou discutam os que ja leram e conhecem as versões das histórias, vale a pena, quem sabe não se deenvolve um senso critico mais apurado com relação ao seu próprio trabalho, à sua própria “produção”.

Desculpem o desabafo, mas este post não é dedicado a ninguem em especial, mas sim à toda a academia!!

Presentes de Natal

Postado em Uncategorized em dezembro 28, 2008 por Pivni

Estamos em período Natalino, período onde independente da nossa crença nos imbuímos do desejo de presentear e especialmente ser presenteado, mais um comportamento estereotipado adquirido durante nossa evolução, um comportamento consumista, mas do qual podemos tirar bons proveitos, como sugerir aos nossos queridos amigos que nos presenteie com bons livros … aos leitores desse blog e interessados nos assuntos a ele relacionados eu posso sugerir muitos bons ou até mesmo excelentes livros, mas eu creio que isso não caberia em um único post, então por enquanto vou me ater a quatro deles, um dia quem sabe recomendo mais alguns …

Quando os elefantes choramTítulo: Quando os Elefantes Choram (1997)
Autor(es): Jeffrey Moussaieff Masson e Susan McCarthy
Editora: Geração Editorial
Meus comentários: Este livro eu já li ha algum tempo, para ser mais preciso faz nove anos que o li pela primeira vez e única que o lí na integra, de lá pra cá reli alguns trechos e tal, a leitura é agradável, o livro é recheado de aventuras de campo e de relatos de laboratório onde os autores jogam no ar algumas perguntas, como “Animais sentem emoções?” ou “Eles choram, sentem raiva, amor e ódio?” e baseados em resultados de diversas pesquisas mostram a profundidade com que os animais experimentam emoções, estejam no cativeiro ou na vida selvagem.
Um livro essencial para aqueles que insistem que os outros animais além de nós não possuem sentimentos ou emoções e por isso não são dignos do nosso respeito como semelhantes.

O Gene EgoistaTítulo: O Gene Egoísta (1941)
Autor(es): Richard Dawkins
Editora: Companhia das Letras
Meus comentários: Este é um clássico, um livro onde lemos sobre ciência como se estivéssemos lendo um livro sobre ficção científica … um resumo excelente do pensamento evolutivo … segundo H.Allen Orr (The New York Review of Books) “O Gene Egoísta” é o melhor trabalho de divulgação científica já escrito.

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O Mito da MonogamiaTítulo: O Mito da Monogamia: Fidelidade e infidelidade entre pessoas e animais (2007)
Autor(es): David P. Barash e Judith Eve Lipton
Editora: Record
Meus comentários: Este foi um dos livros mais citados neste blog até agora, seja de forma direta ou indireta … eu o li em julho de 2008, logo após a palestra sobre o tema no SEMEIA … o livro tem uma linguagem excelente ao abordar um tema polêmico de forma tão tranqüila … excelente livro, recomendo, não só aos  interessados em comportamento e evolução do comportamento humano, mas a todos … essencial.

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O canto do dodôTítulo: O canto do Dodô: Biogeografia de ilhas numa era de extinções (2008)
Autor(es): David Quammen
Editora: Companhia das Letras
Meus comentários: Um livro excelente, com uma linguagem excelente.
Não se engane pelo título, apesar de ser o tema central da obra o jornalista e ecólogo David Quammen vai além dos relatos das ações inescrupulosas dos navegadores ibéricos do século XVI, ele explora com maestria temas mais aprofundados como a ciência da Biogeografia de Ilhas passando por ilhas remotas, sejam cercadas por mar ou por campos desmatados com excelentes e claras informações que podem explicar através da ecologia teórica este grande problema que são as extinções causadas pela forma de ocupação do animal humano neste mundo.
São quase 800 páginas, ainda faltam ler algumas, mas já incluo este como um dos melhores livros que já li.

Excelentes livros … estou lendo o último destes no momento, recomendo os quatro …

Feliz Natal atrasado e que em 2009 eu acabe escrevendo um pouco mais por aqui … e que você continuem a me visitar, mesmo que seja procurando nos mecanismos de busca por “muitas mulheres trepando” (ver post Estatísticas).

Estatísticas

Postado em Uncategorized com as tags , em dezembro 28, 2008 por Pivni

O blog não tem muitos posts … eu demoro muito para atualizar … mas mesmo assim não passa um dia sem uma visita (que bom!), reflexo de temas polêmicos ou pelo menos passíveis de serem encontrados em mecanismos de busca das mais diversas formas, acreditem que segundo as estatísticas do blog chegaram até este site utilizando os seguintes termos:

mulher tem bastante como vc mas fiel” (29/11/2008)

muitas mulheres trepando” (28/12/2008)

O primeiro ficou alguns minutos no blog e visitou dois posts, provavelmente os dois que falam sobre o “Mito da Monogamia”, porém o segundo, provavelmente ao constatar que não encontraria pornografia e afins aqui no site não passou de poucos segundos.

Os demais termos utilizados foram relacionados à “taxonomia”, à “monogamia” e à “filatelia”, os que buscaram utilizando termos nos dois primeiros grupos vieram ao lugar certo, porém os que buscavam informações referentes à “filatelia” não foram tão felizes em sua busca, porém exatos 30 destes leram mais de um post do blog, o que demonstra que apesar de não ter encontrado o assunto que buscava achou o conteúdo pelo menos interessante.

O maior número de visitas se deu devido ao tema “taxonomia” (35%), seguido por “monogamia” (22%), e logo por “filatelia” (21%) … os demais 22% foram distribuídos em diversos outros temas, entre eles buscas por informações sobre o “Moebius” (6% do total) e sobre “Henrique Browne”* (4% do total).

Bom, interessante serviços como o de acompanhamento das estatísticas do blog do próprio WordPress e o Google Analytics (ambos gratuitos), duas ferramentas essenciais tanto para acompanhar o seu blog quanto para fazer uma análise na característica “curiosa” do animal humano.


* Henrique Browne foi o palestrante citado no primeiro post sobre o “Mito da Monogamia”.

Monogamia, mito ou realidade? Parte 2: Um pouco mais do mito!

Postado em Uncategorized com as tags , , em outubro 30, 2008 por Pivni

A poligamia, para alguns sinônimo de infidelidade e por isso tratada sob este espéctro, é um dos assuntos mais explorados na literatura, na TV e no cinema ocidental e segundo os entendidos no assunto é assim explorada por ser expositora dos reflexos das preocupações humanas.

A primeira grande obra literária ocidental, a “Ilíada“de Homero, um épico grego escrito no Século VIII a.C. narra as consequências de um “adultério” ao contar como a rainha grega Helena, casada com Menelau mudou o rumo de toda a história após ter um caso com o principe Príamo de Tróia provocando a famosa Guerra de Tróia, que na verdade nada mais foi que a vingança de um homem traído … neste mesmo ambiente temos Ulisses que na obra “Odisséia” também atribuída a Homero (Séc. VIII a.C.), apesar de matar uma horda de pretendentes que tentaram seduzir sua fiel esposa Penélope dormiu sem a menor culpa e ainda por cima sem ser considerado adúltero com a feiticeira Circe.

Uma infinidade de outras obras pareceram ou ainda parecem achar que é interessante explorar e expor o fracasso da Monogamia. Qual a novela que não tem em sua trama um bom caso de adultério e traição, movido seja por amor, desejo ou até mesmo por troca de interesses? Até mesmo a história da TV e do cinema vem sendo construída à base de traições e jogos de interesses pessoais.

Voltando a literatura, clássicos como “Ana Karenina” de Tolstoi e “O amante de Lady Chatterley” de Lawrence, entre uma infinidade de outros títulos exploram a traição com a superexposição da Poligamia (Poliginia e/ou Poliandria).

Na maioria dos casos, nestas obras, a Poligamia ou o Adultério* como sendo algo maléfico, como sendo pura e simplesmente traição, que tem como objetivo destruir os alicerces da instituiçào “Família”, que por sua vez é baseada muito mais em pressupostos religiosos que naturais e é embasada pela observação de Jesus que segundo historiadores considerou que sentir desejo sexual pelo outro é cometer Adultério no coração, provocando arrependimento, sentimento de culpa e condenando o “Desejo”, um sentimento nato do ser humano e possívelmente também de todas ou pelo menos da grande maioria das espécis animais.

Estudos recentes nas áreas de Biologia e Psicologia, mais precisamente na Evolução do Comportamento Humano, levando em conta desde a sua origem até os dias atuais tem revelado o quanto as bases que sustentam a Monogamia como umprocesso natural é fraca e inconssistente, baseada (até então) em opiniões pessoais, romanticas e sem bases científicas.

* Segundo Barash e Lipton (2007) o Adultério está para o animal humano adulto como a infância para o infante, sendo então considerada uma fase do crescimento humano e não uma ação propriamente dita.

Bibliografia

Barash, D.P.; LIpton, J.E. 2007. O Mito da Monogamia: Fidelidade e Infidelidade entre pessoas e animais. Editora Record, 320pp.

O Colecionador de Selos

Postado em Uncategorized com as tags , , em julho 13, 2008 por Pivni

Este texto eu escrevi em 2005, no inicio do ano, durante um encontro de biologia da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), logo depois de uma mesa redonda sobre conceito de espécie, foi o primeiro e acho que o maior nó que eu já dei na cabeça até hoje!! Ele foi originalment epublicado em: http://rodrigopivni.multiply.com/journal/item/4/O_COLECIONADOR_DE_SELOS na data de 19 de setembro de 2006, nessa época eu ainda não sabia se seguiria mais par ao lado da zoologia ou da ecologia, mas este “nó” ajudou muito a decidir.

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Espécie … o que é espécie?
Qual o conceito de espécie?
Espécie existe?

Estas são questões que a cerca de um ano e meio, desde a mesa redonda lá do VII Encobio (UEFS), em janeiro de 2005, que contou com a presença do Rapini, do Freddy Bravo, ,,, não me lembro o nome do outro participante da mesa, taxonomistas, um de botânica, outro de zoologia e um outro de microbiologia, além da ilustre presença do sistemata que se diz taxonomista, se não me engano, Eduardo (não lembro o sobrenome), me perturbam … quando eu achei que entendi de alguma coisa e descobri que na verdade eu não sei de nada! O texto O COLECIONADOR DE SELOS não pretende responder a estas questões, até mesmo porque o autor (eu) acredita que responder a estas questões é algo no momento impossível, não existe uma resposta única, a não ser que se trata de uma hipótese ou conceito utilizado de forma distinta por taxonomistas, ecólogos, geneticistas (sistematas) e/ou até mesmo por jornalistas (estes costumam “avacalhar” ou “bagunçar” o código existente, muitas vezes criando novas categorias e/ou até mesmo organismos a revelia, porém, não intencionalmente e o grande culpado somos nós).

A conclusão que EU cheguei foi a de que Espécie não passa de um nome dado a um determinado organismo de forma a organiza-lo em um tipo de fichário, pasta, envelope, etc., como fazem os colecionadores de selos, cards, etc. ao organizar a sua coleção por países, cores, modelos, valores ou qualquer outra característica marcante, simplesmente e somente pelo fato de que uma vez organizado fica mais fácil saber QUAIS selos eu tenho e ONDE eles estão. Descobri também que a forma que EU organizo os meus selos deve ser igual à forma que um outro colecionador qualquer organiza os dele, de forma a facilitar uma comparação e/ou troca de selos repetidos … é como se fosse o ÁLBUM DE FIGURINHAS. Uma outra boa analogia é o sistema de armazenamento de arquivos do Windows®, em pastas, agrupadas por assuntos, etc. a nomenclatura não passaria, neste caso, do nome dado ao arquivo (que por sinal, também não pode ser repetido), e viva o Windows Explorer® (não confundir com o Internet Explorer®, eu estou falando o gerenciador de arquivos, não do Browser)! Os taxonomistas também tem os seus Windows Explorer® para administrar as suas “coleções de selos”, eu conheço dois programas (softwares) o Platypus® e o Taxis®, porém, não vem ao caso agora discutirmos estes softwares aqui, eles não passam de uma pasta ou álbum e no momento estamos discutindo (ou quem sabe até filosofando) sobre os selos, sobre COMO, não sobre ONDE armazena-los …

A Nomenclatura Zoológica
A partir daqui vou me referir a organismos como “animais” por estarem mais perto da minha realidade (objetos de estudo), porém, os mesmos conceitos também se aplicam as demais formas de vida (botânica e microbiológica), só que com regras e recomendações específicas.

Na zoologia, a taxonomia ou nomenclatura não passa de um sistema de nomes aplicados aos táxons animais e é regida pelo Código Nacional de Nomenclatura Zoológica (ICZN, 1985), um sistema complexo de regras e recomendações para compor os nomes zoológicos.

A força deste código está no fato de ser um documento adotado pela comunidade zoológica internacional, primeiramente representada pelos Congressos Internacionais de Zoologia, pela divisão de zoologia e pela Assembléia Geral da International Union of Biological Sciences.

Segundo o próprio Código, o objetivo do Código é “promover a estabilidade e a universalidade dos nomes científicos dos animais, e assegurar que o nome de cada táxon seja único e distinto”, ou seja, que cada táxon animal tenha um nome único, distinto, estável e universal.

Por estabilidade entende-se que o nome CORRETO de um táxon NÃO deve ser alterado injustificadamente; por universalidade, que o nome CORRETO é válido em qualquer parte; por unicidade, que é um só; por distinção que é distinto do de qualquer outro.

Quatro requisitos que são facilmente justificados levando-se em consideração que se este nome não tivesse estas característica comprometeria uma comunicação entre a comunidade científica internacional.

Para entender melhor ainda o significado da nomenclatura zoológica, é interessante examinarmos os conceitos de táxon e categoria (ou categoria taxonômica).

Estes são nomes de táxons: Animalia, Chordata, Vertebrata, Mammalia, Delphinidae, Stenella, Stenella clymene.

Estes são nomes de categorias: reino, filo, coorte, classe, ordem, família, gênero, espécie, etc.

Ou seja, um táxon é um determinado grupo de organismos. Uma categoria é um determinado nível hierárquico em que certos táxons são organizados/agrupados … classificados … (como se fossem abas do fichário, gavetas, envelopes, pastas, ou caixas do colecionador de selos)

A Bagunça
A nomenclatura zoológica não é a única forma conhecida de organização dos seres, a nomenclatura zoológica, batizada por TAXONOMIA (deve ser uma alusão aos táxons não? Claro que é!) é normalmente utilizada pelos taxonomistas, os ecólogos tem a sua própria forma de tratar esta taxonomia, aproveitam o nome de batismo da técnica mas não utilizam todos os conceitos e recomendações, podendo inclusive possuir recomendações próprias, fator que implica nesta grande variância e índice de sinonímia (mais de um nome a um mesmo organismo) até a definição do nome definitivo e a pasta em que o selo deve ser guardado/colecionado … como se não bastasse, os geneticistas inventaram um troço chamado filogenia … pronto, bagunçou tudo, a principio os ecólogos e taxonomistas devem ter imaginado esta nova técnico como uma forma e chegar a uma conclusão para definir qual dos dois tinha razão (essa é uma hipótese), porém, estes cientistas não imaginavam que todo o seu trabalho de organizar os seres vivos de acordo com caracteres morfológicos evolutivos não tinha a menor semelhança com os caracteres genéticos utilizados como fator de classificação (ou diferenciação) dos organismos … também conhecida por Sistemática Filogenética … a grosso (e põe grosso nisso) modo, seres antes determinados/classificados como primitivos ou menos evoluídos em relação a outros seres por não apresentarem adaptações ou aptações mais condizentes com os seus hábitos e habitats, através da filogenia mudaram de “pasta” e passaram a ser mais evoluídos que os mais aptos ou adaptados … eu não ficarei surpreso se os geneticistas “descobrirem” ou “chegarem a conclusão” que determinado organismo que eu conheço como uma determinada espécie, por exemplo uma formiga, é filogenéticamente mais próximo (parente mais próximo) de um sapo que de uma vespa e que esse sapo é mais próximo de um rato que de uma outra espécie de sapo que nem de longe é parente de um rato, mas sim de um peixe, e por aí vai, na nossa visão (pelo menos MINHA visão de taxonomista), uma GRANDE BAGUNÇA …

Acho que vale à pena transcrever parte de um tópico do Bernardi (1994) intitulado “A Nomenclatura e a Sistemática Filogenética” que começa dizendo que existem problemas conceituais e práticos quanto à aplicação das regras tradicionais de nomenclatura (taxonomia propriamente dita) a grupos monofiléticos, definidos de acordo com os cânones da Sistemática Filogenética. Embora escape do escopo do livro organizado pelo Papavero (Fundamentos Práticos de Taxonomia Zoológica), onde o artigo do Bernardi se encontra, tecer considerações sobre esta área, porém, demonstra claramente que existe uma grande confusão no que se refere a CONCEITO DE ESPÉCIE. Só vou avisar a todos, que o nosso problema até que é light (levando em conta que a maioria de vocês, pelo menos é o meu caso, trabalha ou pretende trabalhar com zoologia –animais-), se fosse a nomenclatura aplicada à botânica, a confusão parece ser maior ainda.

Bom jogo no ar (na rede) então estas três questões:
1) Espécie … o que é espécie?
2) Qual o conceito “correto” de espécie?
3) Espécie existe ou é apenas uma hipótese?

Referências Bibliográficas
Bernardi, N. 1994. 8. Nomenclatura Zoológica. In: Papavero, N. (Organizador). Fundamentos Práticos de Taxonomia Zoológica, Editora Unesp, Fapesp, São Paulo, 169-186.

Monogamia, mito ou realidade?

Postado em Uncategorized com as tags , , em junho 9, 2008 por Pivni

A propaganda foi enorme, muitos comentavam em assistir a palestra do M.Sc. Henrique Browne durante a I Semana de Meio Ambiente (SEMEIA) a uns dias atrás … o tema era sugestivo, a monogamia …

O Henrique começou explicando o que era a Monogamia para inciantes, explicando o significado da palavra (mono = único; e gamia = gametas) e que socialmente a monogamia designa caráter, bons costumes, etc. e que porém, biologicamente é um processo não natural.

Apenas 9% dos mamíferos do mundo são monogâmicos sociais e menos ainda (6%) são também monogamicos sexuais ; para as aves cerca de 90% das espécies são monogamicas sociais, mas quando falamos em monogamia sexual o percentual é ainda menor, apenas 4% o são … vamos falar dos nossos parentes mais próximos, os primatas, destes apenas 3% são monogamicos sociais e apenas 1% (o homem) se diz monogamico sexual (repressão sexual por pressão social?).

Monogamico social = escolhe um parceiro e com ele vive para o resto da vida, porém pula a cerca.
Monogamico sexual = escolhe um parceiro e com ele vive para o resto da vida sem pular a cerca (padrão raríssimo na natureza).

Henrique falou ainda da monogamia atraves da história lembrando para nós que todos os grande problemas históricos entre povos foi causado por traições femininas (como em Tróia) … até falar nos rarissimos seres que são realmente monogamicos, geralmente seres involuídos.

Quanto mais involuído ou ancestral é a espécie maiores são as tendências monogâmicas, um bom exemplo é o Diplozoon paradoxun, um parasita de peixes cujos parceiros se encontram enquanto são larvas adolescentes virgens, momento em que literalmente se fundem pelo meio do corpo e em seguida tornam-se sexualmente maduros; eles então permanecem unidos até que a morte literalmente os separe … existe pelo menos uma espécie abissal que apresenta este mesmo padrão monogâmico onde o macho se funde à fêmea.

Na sequência ele cita o que é e como pode ser dividida a poligamia em duas classe: Poliandria (uma mulher com vários homens) ou poliginia (um homem com várias mulheres).

Entendi que para o ser humano uma fêmea pode escolher um par para o resto da vida por este ser inteligente, carinhoso, fiel (prefiro chamar de leal), e rico em recursos dos mais diversos, porém decidir que ele não será a sua matriz reprodutiva pois o Ricardão é aparentemente mais forte e como somos bicho achamos que para o homem é a mesma coisa, que indivíduos fortes significam saudáveis e aptos a proliferar seu gene, enquanto que a força humana atual (aparência física apenas) deveria se chamar farsa humana pois em muitos e/ou na maioria dos casos são resultados de fatores antropicos (bombas, malhação excessiva que exaure energias, dietas, etc.) que tem por finalidade não exatamente dar um ganho de saúde, mas uma aparência saudável porém com menos saúde ainda … imagem é tudo.

Já o homem, ao contrário da mulher, não busca a melhor carga genética (ele até pode desejar, mas não é tão exigente assim), mas sim uma maior variedade de fêmeas possibilitando espalhar seus genes ampliando as chances de perpetuar sua carga genética.

Outras coisas interessantíssimas são os CEP’s (Cópulas Extra Par), popularmente conehcido por “pulada de cerca” que são praticados normalmente por homens que querem perpetuar a sua carga genética, ja a s mulheres tem maiores tendências a CIP’s (Cópulas Intra Par) … eu sinceramente não acredito, os homens são mais putões, canalhas, etc, porém me dizer que as mulheres não realizam CEP’s mas apenas CIP’s soa um pouco estranho conhecendo bem muitas das minhas amigas e amigos. É que as mulheres sabem fazer CEP’s e os homens não!!!

Cocncluí então que como ser humano sou monogamico social, porém com certa tendencida a pologinia sexual, lembrando que isto acaba sendo dependente da capacidade do casal (monogamia social) de manter o interesse de ambos unicamente no seu par, o que não é muito fácil ou simples se levarmos em conta a demanda e a oferta.

Seja bem vindo(a) à Ciduad Megalitica

Postado em Uncategorized em junho 2, 2008 por Pivni

Ciudad Megalítica é uma referência ao mundo fantasioso de Jerry Cornellius criado pelo cartunista francês Jean Gaston Giraud “Moebius” (na minha humilde opinião um dos mais fantásticos cartunistas do mundo) na série Garagém Hermética (Le Garage Hermétique) (1976-1980), uma das mais loucas e fascinantes viagens alucinógenas transformadas em Graphic Novel de todos os tempos (devo falar na série em breve, em outro post) … um lugar fantasioso, fora da realidade que conhecemos, longe de todo o processo natural evolutivo, um lugar de onde podemos observar o mundo como espectadores, de onde podemos falar de ecologia, conservação, comportamento, evolução e muito mais, da forma que observamos …