Monogamia, mito ou realidade? Parte 2: Um pouco mais do mito!

A poligamia, para alguns sinônimo de infidelidade e por isso tratada sob este espéctro, é um dos assuntos mais explorados na literatura, na TV e no cinema ocidental e segundo os entendidos no assunto é assim explorada por ser expositora dos reflexos das preocupações humanas.

A primeira grande obra literária ocidental, a “Ilíada“de Homero, um épico grego escrito no Século VIII a.C. narra as consequências de um “adultério” ao contar como a rainha grega Helena, casada com Menelau mudou o rumo de toda a história após ter um caso com o principe Príamo de Tróia provocando a famosa Guerra de Tróia, que na verdade nada mais foi que a vingança de um homem traído … neste mesmo ambiente temos Ulisses que na obra “Odisséia” também atribuída a Homero (Séc. VIII a.C.), apesar de matar uma horda de pretendentes que tentaram seduzir sua fiel esposa Penélope dormiu sem a menor culpa e ainda por cima sem ser considerado adúltero com a feiticeira Circe.

Uma infinidade de outras obras pareceram ou ainda parecem achar que é interessante explorar e expor o fracasso da Monogamia. Qual a novela que não tem em sua trama um bom caso de adultério e traição, movido seja por amor, desejo ou até mesmo por troca de interesses? Até mesmo a história da TV e do cinema vem sendo construída à base de traições e jogos de interesses pessoais.

Voltando a literatura, clássicos como “Ana Karenina” de Tolstoi e “O amante de Lady Chatterley” de Lawrence, entre uma infinidade de outros títulos exploram a traição com a superexposição da Poligamia (Poliginia e/ou Poliandria).

Na maioria dos casos, nestas obras, a Poligamia ou o Adultério* como sendo algo maléfico, como sendo pura e simplesmente traição, que tem como objetivo destruir os alicerces da instituiçào “Família”, que por sua vez é baseada muito mais em pressupostos religiosos que naturais e é embasada pela observação de Jesus que segundo historiadores considerou que sentir desejo sexual pelo outro é cometer Adultério no coração, provocando arrependimento, sentimento de culpa e condenando o “Desejo”, um sentimento nato do ser humano e possívelmente também de todas ou pelo menos da grande maioria das espécis animais.

Estudos recentes nas áreas de Biologia e Psicologia, mais precisamente na Evolução do Comportamento Humano, levando em conta desde a sua origem até os dias atuais tem revelado o quanto as bases que sustentam a Monogamia como umprocesso natural é fraca e inconssistente, baseada (até então) em opiniões pessoais, romanticas e sem bases científicas.

* Segundo Barash e Lipton (2007) o Adultério está para o animal humano adulto como a infância para o infante, sendo então considerada uma fase do crescimento humano e não uma ação propriamente dita.

Bibliografia

Barash, D.P.; LIpton, J.E. 2007. O Mito da Monogamia: Fidelidade e Infidelidade entre pessoas e animais. Editora Record, 320pp.

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