Persoangens e Academia
Recentemente tenho lido muito sobre Alfred Russel Wallace, Charles Darwin, a “Origem das Espécies” e Biogeografia de Ilhas, e por conseqüência não tem como não ler também algumas coisas sobre Jean-Baptist Lamark, Georges Buffon, Erasmus Darwin, Robert McArtur, Edward O. Wilson, Samuel Stevens, Henry Bates, Moritz Wagner, Ernst Mayr, Joseph Banks, capitão James Cook, sir Charles Lyell, … e muitos outros cujos nomes me fogem à cabeça neste momento, passando por continentes ainda pouco explorados ou conhecidos, arquipélagos e ilhas ao redor de todo o mundo.
Lí histórias e situações que me fazem questionar como as coisas são feitas pela ciência, sobre a ética e a moral dos grandes cientistas … sobre o valor do titulo e da descoberta, sobre a necessidade do homem em ser alguém importante e supostamente influente … até onde vale agir de forma a frear estudos e pesquisas de terceiros em benefício próprio? Atos que observamos ainda nos dias de hoje nas olimpíadas da academia onde ganha quem mais publica, não importa sobre o que ou a qualidade e real aplicabilidade dos resultados para a conservação, o que importa é o número de publicações, o titulo mais alto …
É errado publicar?
Não, eu não acho que seja, mesmo que informações suplementares, porém o valor que se dá ao número e não à qualidade é que está equivocado!
É errado ser um pós-doutor?
Não, claro que não desde que este reconheça humildemente que o titulo não lhe faz mais esperto, inteligente e sábio, diz apenas que este estudou bastante sobre o assunto da sua dissertação, tese ou relatório final e que talvez (dando uma ênfase muito grande ao TALVEZ) ele seja um especialista naquele assunto em específico … mas não, hoje alguns pesquisadores publicam por publicar e estudam para ter titulo, hoje não, sempre foi assim ou a muito tempo a academia é um anfiteatro para disputas ferrenhas do “eu sou o melhor”!
Claro, não vamos ser injustos, existem muitos casos em que querer publicar, ser Doutor ou mais que isso ou mesmo exigir certo reconhecimento é essencial, mas isso deve ser por um meio e não o objetivo ou fim se é que me entendem.
Quantas teses que eu li e que apesar de terem dado um trabalhão, terem respondido diversas perguntas do pesquisador autor, eu não consegui ver em seus resultados uma aplicabilidade prática em trabalhos de conservação? Em melhorias? Em trabalhos futuros de forma mais eficiente do que como mais uma referência seja na introdução, nos métodos ou na discussão de um resultado?
Desculpem-me por este post, mas a insatisfação e a decepção com o modelo acadêmico que é seguido hoje (e sempre) é grande … mas eu não desisto, se estou insatisfeito e decepcionado, posso não vir a achar o melhor modelo, mas continuarei tentando fazer diferente (na medida do possível).
Alguns devem estar se perguntando: Sim, porque citar a “Origem das Espécies”, Biogeografia de Ilhas e diversos nomes e nem se aprofundar no assunto?
Bom, quem sabe este post não é um ponta-pé para que eu tente escrever algo sobre o assunto, as citações foram umpouco mais que meramente ilustrativas e a história em torno dos temas e dos pesonagens citados está recheada de ações e atitudes tão academicistas quanto as dos dias atuais, ou pior. Se serve de alguma coisa, recomendo que leiam sobre o assunto ou discutam os que ja leram e conhecem as versões das histórias, vale a pena, quem sabe não se deenvolve um senso critico mais apurado com relação ao seu próprio trabalho, à sua própria “produção”.
Desculpem o desabafo, mas este post não é dedicado a ninguem em especial, mas sim à toda a academia!!
Fevereiro 24, 2009 às 3:06 pm
Pois é meu amigo, acredito que o problema na academia tem suas raízes encravadas logo que você entra, no meu caso… Bolsas de pesquisa quando existem, na area de genética e de evolução são concorridas a tapa, pois geralmente são concedidas a estudantes que ja estavam na area, voluntariamente, o que impede que quem precisa trabalhar fora, para pagar a mensalidade concorra de igual… e quando vc tem a sorte de pegar uma bolsa, ela paga muito pouco, comparando com a mensalidade do curso e com os gastos gerais… até desanima trabalhar com ciência… e dai vejo esses problemas citados por vc, e penso será que vale a pena??? deve valer, é algo que sou apaixonado e n pretendo desistir, ainda pelo menos…
grande abraço, do amigo de wigner…
Fevereiro 26, 2009 às 2:37 pm
Não desista … querendo ou não fazer parte da academia é essencial, porém não necessáriamente temos que seguir o modelo imposto, eu venho ja a mais de uma década tentando seguir um caminho que acredito seja o mais honesto … se escolhemos fazer ciência, não deveria ter sido somente para satisfazer o nosso ego, mas sim para fazer algo de significativo pelo mundo, pela vida.
Abraços.
Abril 27, 2009 às 10:47 am
Pois é isso meu caro, isso é o que “virou” a academia. Talvez, como bem você disse, tenha sido sempre assim (um tanto exacerbado, como tudo) atualmente). E tende a piorar. Depois de muito refletir e me indignar com esse estado de coisas, tomei uma decisão: danem-se os doutos! O que existe na minha cabeça (e posso notar que também existe na sua) ninguém tira. Tiraram os créditos da genialidade de Wallace, mas jamais tiraram a genealidade, entende?
Se for sincera, só tem uma coisa que me preocupa dessa glorificação dos “números”, é a fonte que sustenta esses deuses da academia – o cidadão comum. Só a eles eu devo uma resposta, só a eles eu devo um retorno. A eles, a mim, a você. Só por isso eu não perco a chance de desmascarar esses doutos academicos, quando a discussão é pública ou quando torno pública a discussão. Vejo que desabafando ou não, você fez o mesmo. É isso aí: não estamos sozinhos!
Um abraço.